São João dos Patos 81 anos: Dona Noca, Uma Mulher Além do seu Tempo

Joanna da Rocha Santos, Dona Noca, considerada a primeira prefeita do Brasil, conforme registro de estudos e pesquisas sobre a presença feminina na política brasileira.  Isso por si só já seria algo para se enaltecer e admirar, tendo em vista que  o voto feminino no Brasil foi conquistado em 1932, incorporado à Constituição de 1934 como facultativo às mulheres solteiras e viúvas que exerciam trabalhos remunerados, mulheres casadas deveriam ser autorizadas pelos maridos para votarem e somente em 1965 o Código Eleitoral equiparou o voto feminino ao dos homens.

Dona Noca, foi nomeada prefeita em 1934 pelo delegado do governo federal no Maranhão, em plena ditadura militar se tornando uma das figuras femininas mais expressivas da história da caminhada da mulher em terras do Maranhão e por que não dizer mesmo, do Brasil,

Dona Noca nasceu em 18 de dezembro de 1892, em São João dos Patos, faleceu em 06 de abril de 1970 na cidade de Floriano-PI.

Se formos analisar que na atual situação política brasileira, a mulher ainda busca seu espaço, sendo ainda minoria nos principais cargos do legislativo e executivo do país, entendo que é de suma importância valorizarmos à questão de termos em nossa história uma mulher desbravadora, não apenas na política. mas, reconhecidamente uma personalidade marcante também no comércio e na indústria, incentivando o bordado e explorando os recursos naturais de nossa terra, como óleo de coco e algodão.

Dona Noca abriu estradas que ligam São João dos Patos as cidades de Barão de Grajaú, Passagem Franca, Buriti Bravo, Pastos Bons, Nova Iorque e Paraibano,  construiu o Colégio Dr. Paulo Ramos e a “Caixa dos Pobres”, obra social destinada ao aprendizado de carpintaria, tecelagem, costura, bordado, alfaiataria e outros, construiu o mercado público, inseriu a energia elétrica em nosso município, foi a primeira mulher brasileira investida na função de juíza, exerceu ainda as funções de delegada, promotora pública e juíza de paz.

Numa época em que o principal meio de transporte eram cavalos e jumentos, Dona Noca viajava a outros estados como Rio de Janeiro e São Paulo, onde participara de  congressos, em um jipe, levando em uma destas viagens 08 dias, para chegar ao seu destino.

O Levante de 1951 – A Revolta de Dona Noca

Dona Noca  comandou uma revolução no sertão maranhense para derrubar Eugênio Barros, que se declarou governador, mesmo sendo derrotado nas urnas, conseguindo anular 16 mil votos no TSE e após o falecimento de  seu opositor Saturnino Belo (candidato apoiado por Dona Noca), diz a história que sua casa era o quartel general dos revoltosos. Foi preparada uma reação com um deslocamento de tropas rumo à São Luís para derrubar Eugenio Barros, só que as tropas foram facilmente derrotadas.

Raquel de Queiroz definiu assim Dona Noca

Acho que Dona Noca é uma das mais impressionantes realizações da mulher em matéria de política.

Ela é mais que uma representante do chamado progresso feminino, a sua legenda pessoal enche os sertões da sua terra e lhe dá um prestigio que muito pouco goza em nosso interior.

Na minha amiga Noca saúdo a grande mulher, grande coração, a maternal protetora dos desvalidos, que poderia muito bem ter estendido a sua ação não aos pequenos limites de São João dos Patos no Maranhão, mas, a uma extensão muito maior do Brasil“.

Curiosidades e causos populares:

Reza a lenda que um certo dia, apareceu na casa de Doca Noca um senhor muito bravo, revoltado e pedindo que ela tomasse uma providência, a filha do queixoso senhor teria sido desvirginada e ele exigia que o cidadão que mexeu  com a ex donzela, casasse com a mesma para reparar o erro.

Dona Noca teria então apanhado um facão e uma bainha, entregando em seguida ao senhor o facão, ficando com a bainha em uma de suas mãos.

De imediato solicitou ao senhor que colocasse o facão dentro da bainha, este então atendendo ao pedido de Dona Noca, dirigiu o facão até a bainha, mas quando o facão se aproximava da bainha, Dona Noca desviava e o senhor errava o alvo, após algumas tentativas em vão, o senhor indagou que daquela forma não tinha como colocar o facão na bainha, então Dona Noca retrucou: “Se a sua filha tivesse feito isso, ela ainda seria virgem”.

Ao longo da nossa história, algumas personalidades tiveram amplo destaque, tanto homens como mulheres. Mas há de se destacar que Joanna da Rocha Santos possui um papel preponderante  e um significado mais forte, sobretudo quando esse papel foi realizado em âmbitos como a gestão de um município, em uma época em que a mulher era limitada social e politicamente, ela rompeu a barreira do machismo, do preconceito e do tempo.

Informações Blog Jackson Duarte